A Arte em The King Of Limbs


Quando o Radiohead anunciou o seu oitavo disco “The King Of Limbs” todos ficaram ansiosos (ou melhor dizendo curiosos) pelo novo trabalho ainda mais pelo formato que eles anunciaram “Newspaper Album”; afinal o disco vem em um jornal? E as 625 pequenas artes incluídas no “box”?

Abaixo a entrevista de Stanley Donwood; parceiro do Radiohead desde o início da banda por Jon Severs do Printweek e publicada na Pitchfork.

Para quem não conhece há uma área no Pitchfork que trata da arte dos discos.

“Capas de discos notáveis ajudam a definir os artistas. Com Take Cover, nosso objetivo é rastrear a mais impressionante obra de arte, e as histórias por trás delas.

Radiohead: The King Of LImbs

O artista Stanley Donwood fala sobre o visual de seu jornal.

Jon Severs: O conceito de jornal foi dirigido pela música?

Stanley Donwood: Risos. Eu ainda não ouvi o disco– não propriamente, não finalizado, ouvi apenas quando ele estava sendo feito. Eu estou esperando o selo me enviar uma cópia da versão em 12″. Mas quando eu estava ouvindo ele ser feito– porque eu trabalho ao lado da banda quando eles estão fazendo música– Eu amo ouvir ela surgir. Eu estava ouvindo todo esses sons e batidas  se transformarem neste espaço sonoro em que você quase pode andar. Enquanto eu ouvia, tive a visão de uma dessas igrejas antigas, onde você tinha uma enorme cúpula, cores entrelaçadas e isso me levou a pintar todas estas arvores coloridas.

JS: Então o conceito de álbum jornal é algo que a banda inspirou?

SD: Toda a ideia deste álbum era de ter algo que quase não existia, então nós escolhemos um vinil claro e o formato de jornal.

[In Rainbows] foi uma coisa grande, pesada, bem substancial — se você estivesse determinado, poderia matar alguém com ele! Foi uma declaração bem mais definida, e neste momento a banda não se encontra. Eles estão em um momento mais transitório. Quando o jornal sair, não quer dizer que as novidades vão parar, o que você tem é apenas um snapshot de como as coisas estavam quando o jornal foi impresso. E da mesma forma, este álbum mostra onde o Radiohead está no momento em que o disco foi lançado. A música é uma coisa continua. E nós queríamos que o álbum representasse isso.

Eu também adoro jornais. Eles são descartáveis. Eles são recicláveis. Eles se desfazem tão facilmente. Eles não são como iPads ou Kindles que podem ser jogados fora e acabando em alguma praia do terceiro mundo. E eu amo a herança dele, de toda a história da comunicação em massa. o Jornal mudou o mundo, de sistema baseado em classes, um sistema feudal para um no qual as pessoas são capazes de obter informação de uma forma mais barata de quem as informou.

JS: A questão de ser descartável é uma coisa importante para este projeto?

SD: Há duas coisas com relação ao jornal. Em primeiro lugar, eu havia deixado um exposto ao sol e ele começou a amarelar e desfazer as bordas. E eu achei isso tão bom porque isso é o que acontece com a gente quando ficamos velhos. A outra é que alguém havia deixado uma pilha de jornais velhos da International Times e da Revista OZ da década de 60 na casa do Colin. Eles foram impresos de forma barata e produzidos rapidamente, eles estavam se desfazendo e tinham perdido as suas beiradas, mas eles se tornaram um arquivo que não existe na internet. E como eles não são elegantes o suficiente para estar no Museu Britânico ou em outro lugar, eles adquiriram valor por causa de sua descartabilidade.

JS: Existe uma mensagem nisso?

SD: A mensagem é de que se você cuidar dele, como a maioria das coisas, ele vai durar. Caso contrário, ele irá desaparecer muito rapidamente.

JS: Foi propósital a aparência antiga do jornal?

SD: Pegamos as fontes de jornais da época da depressão de 1930 nos EUA, que haviam sido recolhidos pela H.P. Lovecraft Historical Society of America. E todas as fontes são da última grande depressão. Eles chamam isso de “credit crunch” agora, eles chamaram de “depressão” porquê eles não gostaram da conotação de uma recessão. É tudo uma questão de usar uma linguagem eufemística.

JS: Colocar esta embalagem elaborada para um álbum nesta época seria uma declaração sobre si mesmo?

SD: A embalagem musical costumava ser uma coisa muito simples. Antes a forma como a música era produzida determinava a embalagem, seja vinil, fita ou CD. Mas com o digital isto é irrelevante. Agora você pode fazer apenas um monte de arte e vender com os arquivos digitais. Neste sentido ela nos libertou.

Quando eu comecei a fazer capas de discos, e foi para CDs eu odiava pelo quão pequenos eles são. Eles são uma porcaria. Esta é uma das razões que o {King of Limbs] CD está com as cores invertidas de forma medonha em um cartão (abaixo). Se pudéssemos ter feito pior, teríamos feito.

JS: Então você acha que a música digital rouba alguma coisa?

SD: Eu acho que rouba o contexto da música, no entanto, eu não estava pensando nisso no momento. A embalagem para a música se tornou uma espécie de Bíblia do Rei James, onde se eleva o conteúdo para algo mais espiritual. E isso foi uma outra coisa que me levou a formato de jornal. Eu pensei:”Vamos colocá-lo em um jornal, para  manter-se longe dessa coisa espiritual.” Você não quer levar a música ara algo que ela não é. A música é algo que você ouve na sua cabeça, é isso, não demovemos dar mais do que ela é.

JS: Falando nisso, há aquela arte pequena, uma peça feita por mais de uma centena de pequenos quadrados com arte impressa em papel absorvente, o que devemos ler nele?

SD: Ah! Eu me pergunto o que as pessoas vão fazer com ela. Existe um cara que morreu recentemente Augustus Owsley Stanley Terceiro, que foi um dos criados mais famosos do LSN na história, um americano muito rico. Ele montou um laboratório fazendo muito barato, puro, bom LSD. Na teoria, alguém pode mergulhá-los em alguma coisa, eles poderiam fazer isso. Eu não acho que isso tenha sido feito antes como uma jogada de marketing – não que eu esteja incentivando tais atividades.

Fonte: Pitchfork

Traduzido por @vematias

Sobre The Paperboy

IT Consultor, Geek, Radioheader

Publicado em 03/05/2011, em Entrevista, Stanley Donwood, TKOL. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. “Risos. Eu ainda não ouvi o disco– não propriamente, não finalizado, ouvi apenas quando ele estava sendo feito.” Stanley não é somente um artista a quem Radiohead “encomenda” a arte de cada disco. Stanley (da mesma maneira que Nigel) é parte de Radiohead. Foi dele a ideia do Newspaper Album e do Universal Sigh. E é impossivel pensar em TKOL sem a arte do Stanley (ou sem os tweets do seu alter-ego Chieftain Mews). Não acredito no Stanley quando ele diz que ainda não ouviu o álbum. Seria como se o Phil dissesse: “Ah, sim, gravei umas batidas para TKOL mas ainda não ouvi o disco– não propriamente, não finalizado.” O que o Stanley nos está a dizer é que ainda não pode ouvir o disco propriamente e finalizado porque faltam canções, as quais provavelmente nem estão todas terminadas (tal como diz Ed na sua entrevista). Não há TKOL2 porque as outras canções fazem parte de TKOL (um dos primeiros tweets de Mews, se não me engano, foi que TKOL era o rei/coração e que os restantes eram os soldados/membros os quais entrariam em ação quando o Rei quisesse). A arte de TAMTW/TB/SC é a mesma que TKOL e para mim é atualmente impossivel ouvir esses singles fora do contexto de TKOL, ou ouvir o disco sem ouvir essas canções tambem (por isso no meu itunes TKOL tem 11 canções e prentendo juntar muitas mais durante 2011/2012). Essa é talvez a intenção de Radiohead: que passados 1 ou 2 anos TKOL seja diferente no itunes/ipod de cada um dos fans. Imagino cada um desses TKOL como árvores num bosque… Todas se parecem mas ao mesmo tempo todas sao diferentes.

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